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Nutrição do cafeeiro

Atualizado: Fev 2

Natalia Fernandes Carr, doutoranda do PPG Energia Nuclear na Agricultura CENA/USP, Fundadora do Conhecimento Agro

e-mail: natalia.carr@usp.br


Quando falamos de nutrição devemos primeiro pensar em disponibilidade de nutrientes! Pode parecer que estamos falando da mesma coisa, mas sabe quando você vai ao médico e ele receita algumas vitaminas e diz que elas devem ser tomadas juntas, pois uma depende da outra para que seu corpo possa aproveitá-las ao máximo? Com o solo e as plantas não é diferente. As características do solo em que a lavoura será conduzida, como a acidez e a fertilidade das camadas mais profundas até as superficiais, irão ditar todo o manejo nutricional ao longo do ano agrícola da cultura.


Como sabemos, o cafeeiro é uma planta perene e isso significa que alguns tratos só serão possíveis antes das mudinhas ocuparem sua moradia definitiva. É importante ressaltar que durante o ano agrícola do cafeeiro mais de 20 tipos de manejos são praticados. Durante o curso de “Produção de Cafés – o Essencial do Plantio à Pós-colheita” (www.conhecimentoagro.com), montamos uma linha do tempo buscando ilustrar para o produtor e o extensionista todos estes manejos, de forma que eles possam planejar-se antecipadamente.



Figura 1. Talhão comercial de café.


Seguindo a linha do tempo, vale destacar as operações antes da implantação do cafezal, como a correção do solo e aplicação de fósforo em profundidade. O primeiro passo será realizar a análise de solo e fazer as correções da fertilidade com base nas características encontradas e na exigência do cafeeiro. Começando pela aplicação do calcário, que faz a correção da acidez, ou seja, a disponibilização dos nutrientes presentes no solo, que pode ser junto com a aplicação de gesso ou anterior a ela. Salienta-se que a aplicação de fósforo em profundidade somente é possível antes implantação da lavoura, por isso, aproveite para fazer o preparo profundo e aplicar este nutriente ali mesmo!


Com o solo corrigido, chega o momento de começar as adubações. O cafeeiro é uma planta exigente em nitrogênio (N) como a grande maioria das culturas. O fato é que por precisar deste nutriente em grande volume (~ 400 kg/ha/ano), o mais indicado é que a aplicação seja feita em parcelamentos de três até quatro vezes – dependendo da viabilidade econômica da operação, buscando aumentar o período de disponibilidade desse nutriente no solo. Grandes quantidades de N são perdidas no sistema - lixiviação (nitrato), volatilização (ureia) e imobilização (relação C/N) - e isso significa dinheiro jogado fora e manejo insustentável da lavoura.

Figura 2. Terreiro asfaltado.


As pesquisas vêm relacionando as altas perdas de N e acidificação do solo com a utilização da ureia e fontes amoniacais. Fontes como o nitrato de amônio e nitrato de cálcio são excelentes opções para reduzir os efeitos dessa adubação na acidificação do solo, e devido a maior entrada de N na forma de nitrato favorecer a absorção de outros nutrientes, como potássio e magnésio. Falando de custo benefício, o nitrato de amônio sai disparado em relação as outras fontes, pois as perdas e a acidificação são menores em relação à ureia. O nitrato de cálcio também é uma excelente fonte, mas possui alto preço e por isso é recomendado que seja utilizado em talhões que prometem melhor qualidade de bebida. Adubação de alta eficiência consiste no uso do adubo correto, adicionado na época adequada, na quantidade precisa e no local certo. Em conjunto à aplicação de N, é realizada a adubação potássica.


Os macronutrientes são aplicados via solo durante o manejo, e de modo geral os micronutrientes são fornecidos via foliar devido à baixa quantidade necessária por hectare. Vale ressaltar que o boro (B) é exceção neste caso, pois mesmo sendo um micronutriente, deve ser aplicado no solo, por ser levado para as brotações novas e frutos por fluxo de massa, ou seja, por meio da transpiração da planta. Sua aplicação foliar é menos eficiente visto que a translocação dentro da planta é baixa, dificultando sua chegada em brotações ou frutos que crescerem após a aplicação foliar do elemento. A pesquisa já viu a importância de colocar a dose e a fonte correta de cada um dos micronutrientes, é fundamental saber fazer essas contas (este e-book detalha o cálculo http://conhecimentoagro.rds.land/e-book-nutricao-do-cafeeiro).

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